ESPECIALISTA DEBATE POLÍTICAS PÚBLICAS NA PREVENÇÃO AO SUICÍDIO

11 de de 2019

A palestra faz parte a agenda de atividades traçada pela Frente Parlamentar em Defesa da Saúde Mental e Combate à Depressão e ao Suicídio da Assembleia Legislativa


No Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio (10/09), a Assembleia Legislativa, por meio da Comissão de Infância e Adolescência, recebeu para palestra sobre o tema o psiquiatra e coordenador do Projeto de Apoio à Vida (Pravida), doutor  Fábio Gomes de Matos. A iniciativa, que faz parte as ações do Setembro Amarelo na Alece, foi solicitada pela presidente do colegiado, deputada Érika Amorim (PSD). 

A parlamentar chamou a atenção para dados que apontam o suicídio como fator que representa 1,4% de todas as mortes no mundo. “Tornando-se, assim, em 2012, a 15ª causa de mortalidade na população geral. Entre os jovens de 15 a 29 anos, é a segunda principal causa de morte (OMS, 2017)”, alertou.

De acordo com ela, dados do Ministério da Saúde apontam que, no Brasil, no período entre 2011 e 2016, houve predominância de notificações de auto agressão e tentativa de suicídio na faixa etária da adolescência (10-19 anos), juntamente com adultos jovens (20-39 anos).

“É importante salientar que o suicídio é prevenível e, para isso, neste debate, vamos entender melhor a abordagem intersetorial da temática e, além das ações que podem fortalecer as políticas públicas para a promoção da saúde da nossa população e, também, de nossas crianças e adolescentes”, afirma Érika Amorim.

Para o doutor Fábio Gomes de Matos, existe a necessidade de políticas públicas para prevenção ao suicídio e tratamento adequado de pessoas com depressão. “Nesses 15 anos de trabalho, acompanhando esses casos, acredito que, em 100% deles, a pessoa que tentou contra a própria vida possui algum tipo de transtorno mental. É preciso reforçar a rede de assistência psiquiátrica no País", alertou.

De acordo com o médico, inúmeros leitos foram fechados no Estado. "A expectativa era de que eles fossem reabertos em hospitais da rede de saúde estadual e municipal, porém, até o momento, não há disponibilidade leitos para atender adequadamente a população”, criticou.

O psiquiatra sugeriu a integração do sistema de saúde, por meio de prontuários unificados digitais, receitas médicas, dificultando assim o acesso a medicamentos “tarja preta”, fim do comércio de veneno conhecido como “chumbinho”, obrigatoriedade de proteção em viadutos, pontes e prédios, além educação para tratar do tema com crianças e adolescentes.

“Não podemos admitir que o nosso sistema de saúde, ao identificar que um paciente atentou contra a própria vida, apenas o aconselhe a procurar um Centro de Atendimento Psicossocial (Caps). É preciso uma legislação que obrigue os hospitais proporcionarem um atendimento psicológico urgente.  O recomendado é que isso ocorra em até 48 horas", observo

Participaram ainda do evento o presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Saúde Mental e Combate à Depressão e ao Suicídio da Casa, deputado Evandro Leitão (PDT), além dos membros da frente, deputados Fernando Santana (PT), Patrícia Aguiar (PSD), Elmano Freitas (PT), Jeová Mota (PDT) e Carlos Felipe (PCdoB); Estiveram presentes também o diretor do Hospital Infantil da Sociedade de Assistência e Proteção à Criança (Sopai), Luiz Eugênio França Pequeno; o psiquiatra do Sopai, Alfredo Holanda;  o secretário de Saúde de Caucaia, Moacir Soares e os alunos da Escola de Educação Infantil e Ensino Fundamental Ernestina Nunes de Miranda, de Caucaia.